terça-feira, 6 de maio de 2014

Always Look On The Bright Side Of Life

Depois de anunciada a "Saída Limpa" do programa de assistência pelo Exmo.º Sr.º Primeiro Ministro, que como sempre foi anunciado mais do mesmo com pompa e circunstância, há várias questões que não me saem da cabeça.

Após passado este tempo o que é feito de PORTUGAL e do seu POVO?

Como conseguimos passar os obstáculos que nos colocaram (austeridade)?

Como será que o POVO está a fazer para passar estas agruras da vida?

E eu? Como passei e vou passar até 2030, 2035 ou 2040 (ninguém sabe até quando vamos ter de "aturar" isto)?

Independentemente do que se possa dizer (não vou tecer considerações sobre se havia outro caminho), sinceramente isto tudo já cheira mal há muito tempo e como se costuma dizer a História vai julgar os seus intervenientes!

Por mais que me tente exprimir, a única maneira que consigo descrever a actuação do POVO PORTUGUÊS perante estas tretas é com esta brilhante musica dos não menos brilhantes Monty Python!




(Desculpem a tradição em Português abrasileirado)

Olha sempre o Lado Bom da Vida

Algumas coisas na vida são ruins
Elas podem realmente deixar-te louco
Outras coisas só te fazem dizer asneiras e praguejar
Quando estiveres comendo o pão que o diabo amassou
Não resmungues, dá um assobio
E isto ajudará as coisas a mudarem para melhor


E... sempre olha pelo lado bom da vida

Sempre olhe pelo lado iluminado da vida

Se a vida parecer bastante podre
Existe algo que tu esqueste
Que é rir, sorrir, dançar e cantar
Quando tu te estiveres a sentir no lixo
Não sejas idiota bobo
Apenas franze os teus lábios e assobia - esta é a solução

E... olha sempre pelo lado bom da vida

Vamos lá!

Olha sempre pelo lado iluminado da vida

Por a vida ser bem absurda
E a morte a palavra final
Deves sempre encarar a cortina com uma saudação
Esqueça seu pecado - dá à plateia um sorriso
Diverte-te - Essa é tua última chance mesmo


Então, olha sempre pelo lado bom da morte


Bem antes de soltares o teu último suspiro
A vida é uma pedaço de merda
Quando tu olhas para ela
A vida é uma risada e a morte é uma piada, é verdade
Tu verás, isto tudo é um show
Continua sorrindo enquanto tu vais
Só lembra-te que a última risada está em ti

E olha sempre pelo lado bom da vida

Olha sempre pelo lado certo da vida

Vamos lá, caras, animem-se


Olha sempre pelo lado bom da vida...

Olha sempre pelo lado bom da vida...

As piores coisas acontecem no mar, tu sabes
Olha sempre pelo lado bom da vida...
Quero dizer - o que tens a perder?
Tu sabes, tu vens do nada
Tu estás a voltar para o nada
O que tu perdeste? nada!

Olha sempre pelo lado bom da vida...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Afonso Lobão disponível para ser candidato a presidente do PS e da Câmara


Actual vereador vai anunciar candidatura em breve

Afonso Lobão disponível para ser candidato a presidente do PS e da Câmara

Afonso Lobão está disponível para ser candidato à liderança do PS de Valongo e, posteriormente, à Câmara Municipal deste município. É o próprio vereador da autarquia valonguense quem o revela em declarações ao VERDADEIRO OLHAR.



Segundo Lobão, a sua candidatura à Câmara é uma consequência lógica da estratégia iniciada pelo partido há dois anos e também do trabalho desenvolvido, enquanto vereador, desde essa altura.

Afonso Lobão diz mesmo que, "a não ser assim, o PS corre o risco de entregar uma vez mais, e de mão beijada", o poder ao PSD.



Divisões internas colocam vitória em risco

A candidatura de Afonso Lobão à presidência da Comissão Política do PS de Valongo deverá acontecer em breve. É o próprio quem o diz, guardando a data certa do anúncio apenas por o partido ainda não ter marcado um acto eleitoral que se perspectiva que venha a realizar-se entre Abril e Maio. "Em breve anunciarei a minha candidatura", assume, sem rodeios, Afonso Lobão.

Ao VERDADEIRO OLHAR, o actual vereador salienta que a candidatura à Comissão Política Concelhia não assenta numa pretensão em ser candidato a presidente da Câmara. "Estes assuntos têm de ser tratados com ética, com responsabilidade e com solidariedade e os critérios para definir os candidatos autárquicos ainda não estão definidos", frisa.

Apesar disso, Afonso Lobão não esconde a desejo em representar o PS nas próximas eleições autárquicas. "Existe a minha disponibilidade, mas terá de ser o partido a fazer essa escolha no momento próprio", refere.

Aliás, o vereador socialista defende que "tendo sido as grandes opções autárquicas tomadas pelos vereadores articuladas com o partido", não há razões para que o PS "altere as candidaturas apresentadas há dois anos". "A não ser assim, o PS corre o risco de entregar, uma vez mais e por divisões internas, uma Câmara cujo projecto político há muito se esgotou. Estou certo que a população não deseja e não compreende estas divisões", declara.

As divisões destacadas por Afonso Lobão dizem respeito à candidatura de José Manuel Ribeiro. O líder socialista na Assembleia Municipal já anunciou a sua pretensão em ser líder do PS de Valongo, avisando, desde logo, que se ganhar as eleições internas será, igualmente, o candidato do PS à autarquia valonguense. "O concelho precisa de quem goste de Valongo, seja sensato e responsável", contrapõe Afonso Lobão.

Embora recuse falar de José Manuel Ribeiro, Lobão chama para si a "experiência, a capacidade e o bom senso necessários para derrubar o poder instalado na autarquia".

Retirado de Verdadeiro Olhar - http://www.verdadeiroolhar.pt/materias.php?id=21482&secao=valongo

E não é que tem razão!!


"SEXTA-FEIRA, MARÇO 23, 2012

MATA BOBI, MATA



como é que os cães ficam ferozes? sendo mal-tratados e obrigados a passar fome e frio. Trate-se os polícias assim, prendam-nos no quartel, "de prevenção", sem poderem ir a casa "por causa desses sacanas dos subversivos", paguem-lhes salários miseráveis, destratem-nos, humilhem-nos, convençam-nos que a vida miserável que têm é consequência dos actos anti-patrióticos desses agitadores e "anarquistas" e conseguem uma matilha de rotweilers ansiosos por malhar nos filhos da puta dos "agitadores"... não falha."

Retirado de BLOGUE DOS MARRETAS - http://marretas.blogspot.pt/

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Valongo à la carte




Que dizer? É a estirpe que governa Valongo, Portugal, Europa e o Mundo!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Queres ver que o Governo do Socrates até tinha razão???

FMI: "Governo já tinha tomado estas medidas antes de chegarmos aqui"


"O programa de austeridade e de reformas que Portugal terá de seguir nos próximos anos a troco do empréstimo internacional não resulta de qualquer imposição externa, disse o representante do FMI na troika que negociou a ajuda externa.
Depois de ter qualificado o programa de “ousado”, “severo” e “exigente”, Poul Thomsen precisou que a receita de austeridade, mas também de reformas económicas, não foi imposta de fora.

“O Governo já tinha tomado estas medidas antes de chegarmos aqui”, disse, depois de o representante da Comissão Europeia, Jürgen Kröger, ter também passado a mesma mensagem que já Teixeira dos Santos frisara: “Este é um programa português que merece o apoio da UE e do FMI”.

Kröger precisou que o PEC IV, chumbado pela oposição, foi um "bom ponto de partida, mas não era suficientemente abrangente". "Tinha elementos muito positivos em termos orçamentais, mas não era suficientemente profundo em termos de reformas estruturais”, acrescentou.

Ambos rejeitaram a ideia de que o programa português seja mais leve do que os acordados na Grécia e na Irlanda. A grande diferença está nas reformas estruturais (concorrência, mercado laboral, por exemplo), que são elencadas de forma muito mais detalhada no programa português.

O representante do FMI advertiu, por seu turno, ser fundamental que o próximo Governo “assuma a responsabilidade deste programa”. “Ao fazê-lo vai contribuir decididamente para restaurar a confianças da economia portuguesa nos mercados e nos fora internacionais”, disse Thomsen"

in "JORNAL DE NEGOCIOS online"

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Agências de rating armadilharam Portugal - O desnecessário resgate de Portugal

Agências de rating armadilharam Portugal

"A culpa do pedido de ajuda financeiro feito por Portugal é das agência de rating e da falta de regulação sobre a forma como as mesmas avaliam a fiabilidade da economia dos países. A opinião é de Robert M. Fishman, professor de Sociologia da Universidade de Notre Dame, de Indiana, Estados Unidos, e escritor galardoado - venceu a Menção Honrosa para Melhor Livro de Políticas Sociólogas em 2005, pelo seu livro Democracy's Voices."


O desnecessário resgate de Portugal

«O pedido de ajuda de Portugal para as suas dívidas junto do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia na última semana deve servir de aviso para todas as democracias.

As crises que começaram com os resgates da Grécia e Irlanda no ano passado tiveram uma feia reviravolta. Contudo, este terceiro pedido de resgate não é realmente sobre dívida. Portugal teve uma forte performance económica nos anos 90 e estava a conseguir a sua recuperação da recessão global melhor do que muitos outros países na Europa, mas viu-se sob injusta e arbitrária pressão dos correctores, especuladores e analistas de rating de crédito que, por visão curta ou razões ideológicas, conseguiram forma de afastar uma administração democraticamente eleita e potencialmente amarrar as mãos da próxima.

Se deixadas sem regulação, estas forças de mercado ameaçam eclipsar a capacidade dos governos democráticos — talvez até da América — para fazerem as suas próprias escolhas sobre impostos e despesas.

As dificuldades de Portugal eram admitidamente semelhantes às da Grécia e Irlanda: para os três países, a adopção do Euro há uma década significou que tiveram de ceder o controlo das suas políticas monetárias, e um repentino incremento dos níveis de risco que regulam os mercados de obrigações atribuíram às suas dívidas soberanas foi o gatilho imediato para os pedidos de resgate.

Mas na Grécia e Irlanda o veredicto dos mercados reflectiu profundos e facilmente identificáveis problemas económicos. A crise portuguesa é bastante diferente; não houve uma genuína crise subjacente. As instituições e políticas económicas em Portugal que alguns analistas financeiros vêem como potencialmente desesperadas tinham alcançado notável sucesso antes desta nação ibérica de dez milhões ser sujeita às sucessivas ondas de ataque dos mercados de obrigações.

O contágio dos mercados e redução de notação, que começaram quando a magnitude das dificuldades da Grécia emergiu no início de 2010, transformaram-se numa profecia que se cumpriu a si própria: ao aumentar os custos da dívida portuguesa para níveis insustentáveis, as agências de rating forçaram Portugal a procurar o resgate. O resgate deu poder aos ‘salvadores’ de Portugal a pressionarem por impopulares políticas de austeridade que afectaram empréstimos de estudantes, pensões de reforma, subsídios sociais e salários públicos de todos os tipos.

A crise não é culpa do que Portugal fez. A sua dívida acumulada está bem abaixo do nível de nações como a Itália que não foi sujeita a tão devastadoras avaliações. O seu défice orçamental é mais baixo do que muitos outros países europeus e estava a diminuir rapidamente graças aos esforços governamentais.

E quanto às perspectivas de crescimento do país, que os analistas convencionalmente assumem serem sombrias? No primeiro quarto de 2010, antes dos mercados empurrarem as taxas de juro nas obrigações portuguesas para os limites, o país tinha uma das melhores taxas de recuperação económica na União Europeia. Numa série de reformas — encomendas industriais, inovação empresarial, realização educacional, e crescimento das exportações — Portugal igualou ou mesmo ultrapassou os seus vizinhos do Sul e até da Europa Ocidental.

Por que razão, então, foi tão desclassificada a dívida portuguesa e a sua economia empurrada para o limite? Há duas possíveis explicações. Uma é o cepticismo ideológico em torno do seu modelo económico misto, que suportava empréstimos às pequenas empresas, em conjunto com algumas grandes companhias públicas e um robusto estado-providência. Os mercados fundamentalistas detestam intervenções de estilo keynesiano em áreas da política interna portuguesa — que evitavam uma bolha e preservavam a disponibilização de rendas urbanas baixas — quanto a assistência aos pobres.

A falta de perspectiva histórica é outra explicação. O nível de vida dos portugueses cresceu muito nos 25 anos que se seguiram à revolução democrática de Abril de 1974. Nos anos 90 a produtividade laboral cresceu rapidamente, as empresas privadas aprofundaram o investimento com a ajuda do governo, e partidos tanto de centro-direita como de centro-esquerda apoiaram o aumento da despesa social. Por altura do fim do século o país tinha uma das taxas de desemprego mais baixas da Europa.

Em justiça, o optimismo dos anos 90 deu origem a desequilíbrios financeiros e ao gasto excessivo; os cépticos quanto à saúde da economia portuguesa apontam para a sua relativa estagnação entre 2000 e 2006. Apesar disso, no início da crise financeira global em 2007, a economia estava de novo a crescer e o desemprego a descer. A recessão acabou com essa recuperação, mas o crescimento retomou-se no segundo quarto de 2009, mais cedo do que noutros países.

Não se podem culpar as políticas domésticas. O primeiro-ministro José Sócrates e o governo socialista mexeram-se para cortar no défice enquanto promoviam a competitividade e controlavam a despesa pública; a oposição insistia que podia fazer melhor e forçou o senhor Sócrates a demitir-se este mês, preparando o palco para novas eleições em Junho. Isto é normal em política, não um sinal de confusão ou incompetência como alguns críticos de Portugal acenaram.

Podia a Europa ter evitado este resgate? O Banco Central Europeu podia ter comprado de forma agressiva as obrigações de Portugal e protegido o país do pânico mais recente. Regulação da União Europeia e dos Estados Unidos sobre o processo utilizado pelas agências de rating para avaliar a fiabilidade de crédito da dívida de um país é essencial. Distorcendo as percepções dos mercados sobre a estabilidade portuguesa, as agências de rating — cujo papel em fomentar a crise hipotecária nos Estados Unidos está amplamente documentado — armadilharam tanto a sua recuperação económica como a sua liberdade política.

No destino de Portugal reside um claro aviso para os outros países, os Estados Unidos incluídos. A revolução portuguesa de 1974 inaugurou uma onda de democratização que varreu o globo. É bem possível que 2011 possa marcar o começo de uma onda de invasão da democracia por mercados desregulados, com Espanha, Itália ou Bélgica como próximas vítimas potenciais.

Os americanos não iriam gostar muito se instituições internacionais tentassem dizer a Nova Iorque, ou a outra qualquer cidade americana, para abandonar as suas leis de controlo de rendas. Mas é este precisamente o tipo de interferência que agora acontece em Portugal — tal como aconteceu na Grécia ou Irlanda, apesar desses países terem maiores responsabilidades no seu destino.

Apenas governos eleitos e os seus líderes podem assegurar que esta crise não acaba por minar os processos democráticos. Até agora parecem ter deixado tudo nas mãos da imprevisibilidade dos mercados de obrigações e das agências de rating.»

In Opinião no NY Times: Por Robert M. Fishman, professor de Sociologia da Universidade de Notre Dame

quinta-feira, 7 de abril de 2011

"Decisão mais premente é reestruturar dívida externa"

"Decisão mais premente é reestruturar dívida externa"

Apesar do coro de opiniões sugerindo diversos tipos de "intervenção" imediata, o economista Ricardo Cabral sugere outro caminho.


Ricardo Cabral diz que é um "erro recorrer à ajuda externa neste momento"
O economista Ricardo Cabral, professor do Departamento de Economia e Gestão e do Centro de Competência em Ciências Sociais da Universidade da Madeira e doutorado em Economia pela Universidade da Carolina do Sul, Estados Unidos, insiste em que a reestruturação da dívida externa é a questão essencial na atual crise de risco de default que o país atravessa. Além do mais, esta opção deveria estar em carteira, face aos próprios resultados da aplicação dos programas de resgate na Grécia e na Irlanda.

Ainda hoje, o "Financial Times Deutschland" referia que "vários ministros das Finanças" europeus se começam a inclinar para a necessidade dessa opção no caso grego. Recorde-se que o Ecofin (conselho dos ministros das Finanças e da Economia da União Europeia) se reúne em Budapeste na próxima sexta-feira informalmente.

A última vez que Portugal procedeu a uma reestruturação da dívida foi em 1892, tendo o processo de negociação demorado dez anos.

Multiplicam-se as opiniões pedindo que o Governo português recorra a auxílio externo, desde a ideia de pedidos diretos ao Fundo Monetário Internacional (como teria sido alvitrado no Conselho de Estado), de "empréstimo intercalar" da Comissão Europeia (apesar de tal figura não existir por ora), de resgate puro e simples no estilo do realizado pela Irlanda, até mesmo empréstimo de emergência do BCE. Continua a achar que o caminho, no curto prazo, é o uso de outros instrumentos financeiros e não o recurso ao FEEF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira)?

Embora nos encontremos atualmente numa situação bem mais dramática e premente, pelas razões conhecidas, é um erro recorrer à ajuda externa neste momento e espero que o governo tenha a força para perseverar neste momento difícil do país, apesar dos sucessivos obstáculos de agências de ratings e instituições europeias (BCE) que quase parecem concertados. Não pretendo aqui entrar na discussão politico-partidária em que esta questão económica infelizmente se tornou, mas é minha firme convicção que recorrer ao atual pacote de ajuda externa do FEEF/FMI é contra o interesse nacional.

Porque razão?

Por três razões: implica que o país deixa de ter a opção de reestruturar unilateralmente a sua dívida soberana e de definir o tempo, a forma e o montante dessa re-estruturação de dívida. Essa reestruturação de dívida é, na prática, inevitável; a taxa de juro exigida pelo FEEF/FMI é demasiado elevada e deve ser renegociada em baixa; ao aceitar essa ajuda perdemos muita da soberania sobre a política económica. O FMI, o BCE, e a Comissão Europeia não têm conhecimento suficientemente detalhado sobre as causas da crise nacional. O programa de resposta que desenharam é desajustado da realidade portuguesa e não irá resultar, à semelhança do que está a ocorrer, aliás, com a Grécia e com a Irlanda.

Em que sentido é desajustado?

As condições atuais da ajuda FEEF/FMI, determinadas em grau significativo pelos países credores, enfraquecem a posição negocial de Portugal face aos nossos parceiros europeus, alguns dos quais são simultaneamente os nossos principais credores. Ao aceitar essa "ajuda" prejudicam-se as negociações que irão ocorrer ao longo dos próximos meses e anos para definir os detalhes da reestruturação de dívida. A reestruturação de dívida externa nacional é a decisão económica mais premente e mais importante de uma geração. É do interesse nacional reestruturar a sua dívida externa. Na minha perspetiva, Portugal só será capaz de voltar a ter crescimento sustentável se optar, o mais rapidamente possível, por reestruturar a sua dívida de forma substancial, à imagem do que a Islândia fez e dos sinais que são dados pela nova liderança na Irlanda em relação à dívida do setor bancário. É porque não gostaria de ver o país a retroceder nas próximas décadas, que defendo essa tese.

Mas como pode Portugal atravessar este período pré-eleitoral com a enorme pressão sobre os juros que se faz sentir no mercado secundário da dívida?

No curto prazo o país deveria utilizar outros instrumentos financeiros que não a FEEF/FMI. Existem ainda algumas opções importantes a que se pode recorrer para responder às dificuldades de financiamento que o país enfrenta e cumprir com as obrigações financeiras nacionais no curto prazo. Essas opções não resolvem o problema do sobre-endividamento externo nacional no médio e longo prazos. Mas permitiriam ganhar algum tempo para definir a estratégia nacional de resposta à crise, negociar com os nossos parceiros europeus e com os credores e, posteriormente, implementar a legislação necessária.

No caso da Grécia tem-se referido cada vez mais insistentemente que o país terá de proceder a uma reestruturação da sua dívida. Os juros no mercado secundário da dívida grega continuam a bater recordes mundiais e as medidas de austeridade parecem não conseguir surtir os efeitos pretendidos. No final da linha, a reestruturação é inevitável?

Sim. A reestruturação é inevitável. As lideranças dos governos da França e da Alemanha sabem que a re-estruturação é inevitável. O Mecanismo de Estabilização Europeu (MEE, European Stabilization Mechanism), a aplicar a partir de meados de 2013, já contempla uma série de instrumentos que irão facilitar a reestruturação da dívida. Contudo, com o MEE, a re-estruturação da dívida será ditada por Berlim e Paris. Além disso, receio que seja demasiado pequena, prejudicando o futuro desenvolvimento do país, por limitar o capital de que necessita para se desenvolver. Com o FEEF/FMI e a MEE, os mais importantes ativos gregos irão passar para as mãos de não residentes. Alguns dos mais importantes grupos nacionais irão perder muito dos seus ativos, que passarão para grupos estrangeiros.

No caso da Irlanda, a situação do sistema financeiro continua a ser a maior dor de cabeça, apesar do risco de default ter diminuído nestes últimos dias (estando mesmo já abaixo do risco português). Paradoxalmente, o ex-tigre Celta vê-se obrigado a quase nacionalizar todo o setor bancário e a concentrá-lo via mão do Estado. Que lições poderemos tirar do que está a ocorrer na Irlanda?

Em relação ao sistema bancário deveríamos adotar uma metodologia similar à da Irlanda, embora evitando os erros cometidos pelo anterior Governo Irlandês - esses erros foram garantir toda a dívida do sistema bancário, comprar ativos tóxicos do sistema bancário e realizar aumentos de capital com dinheiros públicos. O lado positivo da resposta adotada por esse governo é que a Irlanda está a beneficiar de um subsídio elevado do Banco Central Europeu (BCE), através do financiamento que este faz ao sistema bancário irlandês. Este subsídio do sistema bancário e da economia Irlandesa é equivalente a cerca de 6% do PIB português por ano (uma percentagem maior em relação ao PIB irlandês), se assumirmos taxas de juro médias para novo financiamento de 7% ao ano. A Grécia beneficia de um subsídio um pouco menor (4,7% do PIB português, uma percentagem menor em relação ao PIB da Grécia). Comparativamente, o subsídio que o sistema bancário português - e em resultado a economia portuguesa - recebe do BCE através do sistema financeiro é somente de 1,4% do PIB.

O que concretamente sugeriu quando referiu, recentemente, que Portugal tem de criar uma lei de resolução bancária como o fez a Inglaterra?

O país deve criar com urgência uma lei de resolução bancária (ou saneamento bancário), em colaboração com os nossos parceiros europeus. Uma lei de resolução bancária é um processo de saneamento e falência controlada de bancos que reconhece o papel fundamental desempenhado pelos bancos numa economia e as características específicas de um banco. Com uma lei de resolução bancária é possível assegurar o normal funcionamento dos bancos mesmo em situação de crise bancária. Essa lei é fundamental para permitir que os bancos continuem a desempenhar a sua função crucial na economia, que é a de canalizar poupança para investimento, concedendo crédito. O sistema bancário nacional está com problemas graves devido à sua enorme dependência do exterior. O endividamento externo líquido do sistema bancário no final de 2009 era de cerca de 50% do PIB. Sem essa lei, mesmo empresas exportadoras com lucros e competitivas internacionalmente, enfrentarão restrições de financiamento agravando a já de si difícil situação económica do país. É provável que vários bancos nacionais tenham de ser sujeitos a essa lei de resolução bancária e - arrisco - eventualmente nacionalizados.

A reestruturação da dívida soberana portuguesa é também inevitável? Como pode isso ser feito, conhecida que é a oposição de quem manda realmente na zona euro, que pretende impor os mecanismos financeiros do FEEF?

Argumentei em entrevistas anteriores que a reestruturação da dívida portuguesa é, na prática, inevitável - inevitável é uma palavra forte dado que existe eventualmente uma pequena probabilidade de outra solução no âmbito da União Europeia. Pelas propostas que têm sido apresentadas pelos mais altos representantes do governo da Alemanha, parece-me que o governo alemão tem uma estratégia definida para responder à crise de dívida soberana. O governo francês também aparenta ter uma estratégia bem preparada. Dadas as intervenções da Chanceler Alemã Angela Merkel e do Ministro das Finanças Wolfgang Schäuble, parece-me claro que irá ocorrer uma reestruturação de dívida a partir de 2013. Só que nos moldes definidos por Berlim e Paris, como já referi.

E esses "moldes" terão, em muito, o dedo, o estilo alemão?

Tem de se compreender que a estratégia típica de resposta a crises na Alemanha é a de procurar penalizar quem errou e de salvaguardar o interesse público. Por exemplo, o governo alemão exige uma taxa de juro de 9% em parte de um pacote de ajuda de cerca de €18,2 mil milhões que concedeu ao banco privado alemão Commerzbank. Se o governo alemão exige taxas destas a empresas alemãs, é provável que haja quem possa pensar que a taxa de juro exigida pelo EFSF/FMI aos países periféricos é razoável.

"Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt) 10:49 Quarta feira, 6 de abril de 2011"